Localizada entre os municípios de Ribeirão Claro no Norte
Pioneiro do Paraná, e a cidade paulista de Chavantes, a Ponte Pênsil Alves de
Lima, situada sobre o rio Paranapanema faz parte do que se considera
uma raridade arquitetônica. Foi construída no início da década de 1920,
sob responsabilidade de Manoel Antônio Alves de Lima, proprietário de uma
grande fazenda a Monte Claro que ainda hoje é de propriedade da família Alves
de Lima, localizada nas proximidades e à margem esquerda da Paranapanema. Com
auxílio financeiro do município de Ribeirão Claro, a ponte foi construída e
inaugurada em 4 de dezembro de 1920, para ligar a cidade de Ribeirão Claro/PR à
cidade de Chavantes/SP onde estava a Estação da Estrada de Ferro. hoje tombada
pelo patrimônio histórico Nacional.
Na época de sua construção ficou conhecida, como “a ponte da
salvação da lavoura”, mas os momentos de glória acabaram quando em 1924, os
paulistas se revoltaram para tentar obrigar o então presidente Artur Bernardes
a renunciar. São Paulo teve duas importantes revoluções que, em momentos
diferentes da história, levaram parte da ponte de madeira abaixo.
“Os tenentes, responsáveis pela revolta, buscaram apoio em
outros estados, como o Amazonas e o Rio Grande do Sul. No primeiro dia
conseguiram expulsar o governador da capital, mas não reuniram forças
suficientes para resistir às tropas leais ao governo federal”, afirma o
historiador da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Jozimar Paes de Almeida.
Enfraquecidos, os revoltosos se refugiaram em Foz do Iguaçu. “No trajeto da
fuga, uma das hipóteses é a de que eles buscaram retardar a perseguição das
tropas legalistas. Por isso, depois que passaram a fronteira, queimaram a ponte
[em 1924]”, a ponte foi reerguida em 1928, mas durou pouco. Passados
quatro anos, uma outra revolução, a Constitucionalista (1932),
derrubou novamente a Alves de Lima.
O presidente Getúlio Vargas decidiu extinguir o Congresso Nacional após desdobramentos da crise da bolsa de Nova York, em 1929, e nomeou um interventor para o governo de São Paulo. A oligarquia paulista capitaneada pelos cafeicultores, enfrentava uma crise econômica e pediu para o governo federal convocar uma constituinte.
Sem sucesso, eles decidiram começar uma luta armada, mas se viram
atacados em várias frentes por forças que apoiavam Vargas. Em 1932, tropas
gaúchas (legalistas de Vargas) se reuniram em Ribeirão Claro para atacar os
paulistas. “Os revoltosos, ao saberem que os gaúchos estavam aquartelados em
Ribeirão Claro, recuaram e dinamitaram a ponte Alves Lima para retardar o
avanço das tropas”, diz Almeida. A ponte só foi reerguida em 1936.
Na realidade ela é uma ponte mista: dos seus 164 m, apenas 82,5 m formam a parte pênsil, com 4,10 m de largura e 2,88 m livres na altura, o que só permite a passagem de veículos de pequeno porte. Uma placa, gravada em letras de chumbo, ilustra bem a trajetória histórica da única ponte pênsil do Paraná:
Uma nova tragédia, porém, derrubou a ponte
pela terceira vez. Foi em 1983, quando a região assistiu à maior enchente de
que se teve notícia. A obra foi recuperada novamente dois anos depois e
continuou funcionando até 2006 – no meio do caminho chegou a ser queimada em um
ato de vandalismo, mas os ribeirinhos conseguiram controlar as chamas. Teve de
ser interditada por causa da falta de manutenção, mas agora, com o restauro,
volta a dar os ares de sua graça.
A Alves de Lima foi tombada pelo patrimônio
histórico, em âmbito estadual, duas vezes: em 1985, pelo Conselho de Defesa do
Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico de São Paulo (Condephaat) e, em
2001, pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico do Paraná.
A restauração da Ponte Pênsil Alves de Lima é patrocinada pela
Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que mantém um complexo de pequenas e
médias usinas hidrelétricas ao longo do Rio Paranapanema. Para poder explorar o
potencial energético da região, a empresa assumiu o compromisso de construir
uma nova ponte entre São Paulo e Paraná (entregue em 2006) e restaurar a velha
passagem de madeira e cabos de aço. A restauração custou quase R$ 2 milhões:
recuperou o pavimento da ponte, construído em madeira de lei, e os cabos de aço
que sustentam a estrutura de mais de 50 toneladas de ferro e concreto
Na Revolução de 1924, os revoltosos paulistas, em fuga para Foz do Iguaçu, queimaram a ponte, que foi construída em madeira, para tentar retardar a perseguição das tropas legalistas. Em 1928 ela foi reerguida.
Na Revolução Constitucionalista de 1932 a
ponte foi novamente destruída quando as tropas leais a Getúlio Vargas
dinamitaram a mesma com a intenção de retardar o avanço das tropas paulistas.
Mais uma vez a ponte foi reconstruída, agora em 1936.
Em 1983 a ponte foi levada pelas águas do Paranapanema, numa das maiores enchentes da região. Em 1985 ela foi recuperada, sendo interditada em 2006 para reformas e entregue a população local em junho de 2011. Depois de terminada a revolução, a Diretoria de Obras Públicas (DOP) decidiu aproveitar toda a parte não destruída, estudando sua restauração e projetando nova ponte pênsil.
A ponte metálica mostrou-se onerosa para a época, com necessidade
de importação da estrutura. Foi estudada uma estrutura de madeira e o
aproveitamento de cabos usados nos planos inclinados da Estrada de Ferro São
Paulo Railway, entre Santos e São Paulo. Os cabos de aço empregados foram os
mesmos que já haviam sido utilizados na construção da Ponte de Lussanvira, pela
Companhia Construtora Nacional, que também executou esta obra.


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