No
Brasil, existem apenas quatro pontes pênseis e uma delas é a “Antônio Manoel
Alves de Lima”, que liga Chavantes a Ribeirão Claro (PR) e fica sobre o rio
Paranapanema.
O secretário municipal de Cultura de Ribeirão Claro, Luiz Carlos Fernandes,
recorda-se de uma exposição sobre esse estilo de construção que omitia a
existência da ponte sobre o Paranapanema, citando apenas as de Minas Gerais,
Santa Catarina e a de São Vicente, no litoral paulista. “Fui eu quem alertei o
pesquisador sobre a existência da nossa ponte. Tempos depois ele me contou que
verificando em todos os Departamentos de Estrada de Rodagem (DER) do país,
realmente constatou serem quatro”, contou Fernandes.
A ponte pênsil “Antônio Manoel Alves de Lima”, aliás, só continua existindo
devido aos grandes esforços das autoridades paulistas e paranaenses nas últimas
décadas. A obra passou por diversas catástrofes desde a sua inauguração, em 4
de dezembro de 1920.
A construção da ponte levou cerca de três anos e foi feita com verbas paulistas
e paranaenses. O objetivo era fornecer um meio de escoamento da produção
cafeeira de Ribeirão Claro para a estrada de ferro mais próxima, a Sorocabana,
com destino ao porto de Santos.
O patrono da ponte, Antônio Manoel Alves de Lima, foi o maior incentivador da
construção. Proprietário de fazendas de café no interior de São Paulo e em
Ribeirão Claro, ele era casado com Julita Prado, irmã de Antônio da Silva
Prado, prefeito de São Paulo de 1900 a 1910. “Acredito que o prestígio político
dele tenha sido um fator importante na construção da ponte”, afirma a auxiliar
administrativa do museu de Chavantes, Maria Helena Cadamuro, que se declara uma
“apaixonada” pela estrutura.
A ponte foi um ponto estratégico durante as revoluções de 1924 e 1932 — e foi
bastante danificada em ambas. Em 1929, enfrentou ainda uma grande enchente. O
maior estrago, porém, foi em 1930, durante a revolução, quando as forças
armadas chegaram a dinamitar as torres de sustentação da ponte, destruindo
inteiramente a parte paulista e danificando o vão — a parte pênsil, sustentada
por cabos, que tem 80 metros de extensão. A reconstrução da ponte levou um ano
e foi feita pelo Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo, com
auxílio financeiro do Paraná. Em 1935, a ponte foi reinaugurada.
Cerca de 50 anos depois, a ponte passaria por uma nova enchente, que destruiu
parte do piso e somente em 1985 seria novamente liberada para o trânsito. No
mesmo ano, ocorreu o tombamento pelo Estado de São Paulo.
Nessa época, o diretor do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Pietro Maria
Bardi, chegou a pedir fotos e dados históricos da ponte para incluí-la em seu
livro Arquitetura e Engenharia na Construção. Fazendo justiça à história de 80
anos da ponte pênsil, os jovens de Chavantes colocaram em 1985 uma placa
enaltecendo a resistência da estrutura. “Em 1924 e 1930, revoluções armadas
destruíram esta ponte. Em 1983, uma grande grande enchente novamente a
destruiu. Toda vez que um mal destruir um bem, ele será reconstruído para que
não morra no coração dos homens a esperança”, consta na placa.
(Urbano: Engenheiro civil pela
Universidade livre de Bruxelas, filho do barão de Anhumas. 65. ii. .....
Antonio Manoel Alves de Lima (filho de Octaviano Alves Lima e Izabel de Arruda
Leite ... Diretor do Banco do Estado de São Paulo, em 1930.))